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Opções na B3: call, put, travas de alta e de baixa e como apostar na queda

Guia completo de opções na B3: o que são call e put, as gregas, estratégias básicas, travas de alta e de baixa, como apostar na queda, riscos e Imposto de Renda.

Diemerson AndradeElpis, a guia do Plano B

Por Diemerson Andrade, com auxílio da Elpis
Atualizado em 25 de outubro de 2026

As opções dão ao titular o direito, sem a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço de exercício definido, em uma data ou até uma data, conforme o estilo do contrato. Em uma compra simples de opção, o prêmio pago representa a perda máxima da posição. Neste guia, você vai entender as opções do zero, com exemplos numéricos: o que são call e put, como ler o código de uma opção, o que move o preço (as gregas), como montar travas de alta e de baixa, todas as formas de apostar na queda, os riscos e como ficam os impostos no Brasil. Para entender a diferença entre opções e outro derivativo comum no Brasil, leia também o artigo Mercado a termo na B3: o que é, como funciona, riscos e impostos.

Aviso: conteúdo educativo, sem recomendação de compra ou venda. Opções são derivativos: envolvem alavancagem e podem gerar perda total do valor investido e, em vendas descobertas, perdas maiores que o valor depositado. Os exemplos usam ação e preços fictícios. Não é consultoria financeira, jurídica ou tributária.

O que são opções e como ler uma

Uma opção é um contrato que dá a quem compra o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço de exercício definido. Dependendo do estilo da opção, esse direito pode ser exercido apenas no vencimento (europeia) ou também antes dele (americana). Quem vende a opção assume a obrigação correspondente e recebe o prêmio. A comparação com um seguro ajuda a entender a lógica, mas opções também são usadas para proteção, alavancagem e estratégias de mercado.

Há dois tipos, segundo o guia da Brapi:

  • Call (opção de compra): dá ao titular o direito de comprar o ativo pelo preço de exercício (strike). Uma alta do ativo tende a favorecer a call, mas o lucro depende também do prêmio pago, do tempo e da volatilidade.
  • Put (opção de venda): dá ao titular o direito de vender o ativo pelo strike. Uma queda do ativo tende a favorecer a put, mas o resultado também depende do prêmio, do tempo e da volatilidade.

Quem é quem

Posição Quem é O que recebe ou paga Direito ou obrigação
Titular Quem compra a opção Paga o prêmio Tem o direito de exercer
Lançador Quem vende a opção Recebe o prêmio Tem a obrigação de entregar ou comprar o ativo, se o titular exercer

Em uma compra simples de call ou put, o prêmio pago é o máximo que o titular pode perder na própria opção. O lançador, ao contrário, fica com o prêmio como ganho máximo e pode ter perdas muito maiores, dependendo da posição.

Como ler o código de uma opção na B3

O código identifica o ativo-objeto, o tipo e o mês de vencimento e a série da opção. A parte numérica do ticker ajuda a identificar a série, mas não deve ser interpretada automaticamente como o strike exato, pois ajustes e regras de codificação podem produzir diferenças. Pela Brapi, as letras de A a L são calls, de janeiro (A) a dezembro (L), e as de M a X são puts, também de janeiro (M) a dezembro (X). Exemplos usados pela InfoMoney em suas explicações:

  • VALEA40 = opção sobre a Vale, letra A (call de janeiro), strike
  • PETRM21 = opção sobre a Petrobras, letra M (put de janeiro), strike 21.

O número pode não coincidir exatamente com o strike (ajustes por proventos alteram o código), então confira sempre o strike real na tela da corretora.

Vencimento

As séries mensais tradicionais de opções sobre ações vencem na terceira sexta-feira de cada mês. A B3 também oferece opções semanais para ativos elegíveis, com vencimentos nas demais sextas-feiras do mês (Brapi). Depois do vencimento, a opção deixa de existir.

Dentro, na linha ou fora do dinheiro

Situação Call Put
ITM (in the money, dentro do dinheiro) Ativo acima do strike Ativo abaixo do strike
ATM (at the money, na linha) Ativo perto do strike Ativo perto do strike
OTM (out of the money, fora do dinheiro) Ativo abaixo do strike Ativo acima do strike

Fonte: Brapi. Em resumo, estar “dentro do dinheiro” significa que, se a opção vencesse agora, ela valeria alguma coisa.

Um exemplo mínimo

Você compra uma call com strike R$ 30 pagando R$ 1,00 de prêmio. Se no vencimento a ação estiver a R$ 34, a opção vale R$ 4 e você lucra R$ 3 por ação. Se estiver a R$ 28, a opção vale zero e você perde o R$ 1,00 pago, e só isso. Esse limite de perda é um dos atrativos da compra de opções. Em contrapartida, uma opção pode expirar sem valor se o movimento necessário não ocorrer na intensidade e no prazo exigidos pela estratégia.

O tamanho do contrato depende da quantidade de ativos-objeto especificada para a opção; confira a quantidade e o fator de cotação na B3 e na corretora antes de enviar a ordem. A liquidez varia muito: uma opção pode ter preço teórico, mas um spread (diferença entre compra e venda) tão aberto que sair custa caro.

Quanto vale uma opção: prêmio, tempo, volatilidade e as gregas

O preço de uma opção (o prêmio) tem duas partes:

  • Valor intrínseco: o quanto ela valeria se vencesse agora. Numa call, é o preço do ativo menos o strike (ou zero, se for negativo). Numa put, é o strike menos o preço do ativo.
  • Valor extrínseco (ou valor do tempo): o que o mercado cobra pela chance de a opção valer mais até o vencimento. Ele diminui com o passar dos dias e chega a zero no vencimento.

Exemplo: o ativo está a R$ 32, e uma call com strike R$ 30 custa R$ 3,20. O valor intrínseco é R$ 2,00 (32 − 30), e os outros R$ 1,20 são valor extrínseco. Uma call fora do dinheiro tem só valor extrínseco, por isso ela “derrete” até zero se nada acontecer.

O que move o preço: as gregas

As gregas são medidas de sensibilidade: dizem quanto o prêmio muda quando uma coisa muda e as outras ficam iguais. São conceitos padrão do mercado de opções, e a maioria das plataformas as mostra na tela.

Grega Mede Como ler
Delta Sensibilidade do prêmio a uma variação do ativo Delta 0,50 indica que, mantidas as demais variáveis, uma alta de R$ 1 no ativo tende a alterar o prêmio da call em cerca de R$ 0,50 naquele instante. O delta não é uma probabilidade garantida de exercício ou lucro
Gama Quanto o delta muda quando o ativo muda Alto perto do strike e perto do vencimento: o prêmio de uma opção ATM pode explodir ou sumir em dias
Theta Sensibilidade do prêmio à passagem do tempo Em geral, a passagem do tempo prejudica posições compradas em opções e favorece posições vendidas, mantidas as demais variáveis. A dinâmica do theta não é linear e varia com prazo, moneyness e volatilidade
Vega Quanto o prêmio varia se a volatilidade implícita mudar 1 ponto Mercado nervoso encarece as opções, e a calmaria barateia, mesmo com o ativo parado
Rho Sensibilidade à taxa de juros Costuma importar pouco para opções de curto prazo

Volatilidade implícita

A volatilidade implícita é o quanto o mercado está “apostando” que o ativo vai se mexer, deduzido do próprio preço das opções. Antes de eventos relevantes, como balanços ou decisões de juros, a volatilidade implícita pode subir e encarecer os prêmios. Depois do evento, ela pode cair rapidamente, e o titular pode perder dinheiro mesmo acertando a direção, o chamado volatility crush.

A Brapi resume os três efeitos que mais pegam o iniciante: opções fora do dinheiro são baratas, mas exigem um movimento grande do ativo; o theta (tempo) corrói o valor a cada dia; e a volatilidade (vega) pode reduzir o preço mesmo com o ativo parado. Por isso, existe risco real de perda de 100% do prêmio em uma opção comprada que expire sem valor.

A conclusão prática

Para ganhar comprando uma call, não basta acertar a direção: o ativo precisa subir o suficiente e a tempo, descontado o prêmio pago. Quem vende opções (lançador) joga a favor do tempo, mas assume o risco de um movimento brusco.

Estratégias básicas com opções

Para comparar, todas as estratégias deste guia usam uma ação fictícia, a XPTO3, a R$ 30,00, e prêmios inventados para fins didáticos. Corretagem, taxas e impostos ficam de fora. Os números são por ação.

Estratégia Montagem Ganho máximo Perda máxima Empate no vencimento
Compra de call Compra call strike 30 por R$ 1,50 Ilimitado R$ 1,50 (o prêmio) R$ 31,50
Compra de put Compra put strike 30 por R$ 1,40 R$ 28,60 (se a ação for a zero) R$ 1,40 (o prêmio) R$ 28,60
Venda coberta Tem a ação a R$ 30 e vende call strike 32 por R$ 0,90 R$ 2,90 R$ 29,10 (ação a zero) R$ 29,10
Venda de put coberta pelo caixa Vende put strike 28 por R$ 0,80, com o dinheiro reservado R$ 0,80 (o prêmio) R$ 27,20 (ação a zero) R$ 27,20
Put protetora Tem a ação e compra put strike 28 por R$ 0,70 Ilimitado R$ 2,70 R$ 30,70
Collar Tem a ação, compra put 28 (R$ 0,70) e vende call 33 (R$ 0,75) R$ 3,05 R$ 1,95 R$ 29,95

Como ler cada uma

Compra de call (aposta na alta com risco limitado). Você paga R$ 1,50 para ter o direito de comprar a R$ 30. Só empata se a ação passar de R$ 31,50 no vencimento. Se ficar em R$ 30 ou menos, perde tudo. Costuma ser usada por quem tem pouco capital e uma tese de alta forte e de curto prazo.

Compra de put (aposta na queda com risco limitado). O espelho da anterior. Ganha quando a ação cai abaixo de R$ 28,60. Também serve como seguro de quem tem a ação, e a próxima seção de estratégias trata disso em detalhe.

Venda coberta (ou financiamento). Você já tem a ação e vende uma call de strike mais alto. Recebe o prêmio na hora, mas abre mão da alta acima de R$ 32, porque a ação será vendida lá se for exercida. Funciona bem para ações que você já pretendia vender perto desse preço. Atenção: o prêmio de R$ 0,90 só protege a queda de R$ 0,90, e uma queda maior é sua.

Venda de put coberta pelo caixa. Você vende o direito de alguém lhe vender a ação a R$ 28. Se a ação ficar acima de R$ 28, você fica com o prêmio. Se cair abaixo, você compra a ação a R$ 28 (um preço efetivo de R$ 27,20, depois do prêmio). Só faz sentido para uma ação que você quer ter a esse preço, e com o dinheiro já separado.

Put protetora. É o seguro: você paga R$ 0,70 para garantir que pode vender a ação a R$ 28 aconteça o que acontecer. A perda máxima é a queda até R$ 28 (R$ 2,00) mais o seguro (R$ 0,70). Se a ação sobe, o seguro foi um custo.

Collar. A put protetora, financiada pela venda de uma call. O prêmio recebido paga (quase) todo o seguro, e em troca você abre mão da alta acima de R$ 33. A InfoMoney descreve a estrutura como um piso (put) e um teto (call) que travam o resultado da carteira numa faixa.

Travas de alta

Uma trava (ou spread) é a montagem de duas opções ao mesmo tempo, no mesmo ativo e vencimento, uma comprada e outra vendida, com strikes diferentes. O prêmio recebido na venda reduz o custo da compra, e em troca o ganho fica limitado. A Suno resume o ganho e o risco assim: a perda máxima é conhecida antes de entrar, o ganho também é limitado, e a estratégia depende de uma expectativa positiva para o ativo.

A trava de alta serve para quem espera que o ativo suba, mas não quer pagar o prêmio cheio de uma call, ou não acha que ele subirá sem limite. Existem dois formatos:

  • Com calls (a débito): compra uma call de strike menor e vende uma call de strike maior. Você paga para entrar.
  • Com puts (a crédito): vende uma put de strike maior e compra uma put de strike menor. Você recebe para entrar, e ganha se a ação não cair.

No exemplo, com a XPTO3 a R$ 30,00:

Formato Pernas Entrada Ganho máximo Perda máxima Empate
Trava de alta com calls Compra call 30 (R$ 1,50) e vende call 33 (R$ 0,75) Paga R$ 0,75 R$ 2,25, com ação a R$ 33 ou mais R$ 0,75, com ação a R$ 30 ou menos R$ 30,75
Trava de alta com puts Vende put 30 (R$ 1,40) e compra put 28 (R$ 0,70) Recebe R$ 0,70 R$ 0,70, com ação a R$ 30 ou mais R$ 1,30, com ação a R$ 28 ou menos R$ 29,30

As fórmulas valem para qualquer strike. Com calls: ganho máximo = diferença entre os strikes − débito; perda máxima = débito; empate = strike menor + débito. Com puts: ganho máximo = crédito; perda máxima = diferença entre os strikes − crédito; empate = strike maior − crédito.

Travas de alta: resultado no vencimento
Travas de alta: resultado no vencimentoA trava com calls perde até R$ 0,75 abaixo de R$ 30 e ganha até R$ 2,25 acima de R$ 33. A trava com puts ganha até R$ 0,70 acima de R$ 30 e perde até R$ 1,30 abaixo de R$ 28.-2-1012324262830323436ação hoje: R$ 30Preço da ação no vencimento (R$)Resultado por ação (R$)
  • Trava de alta com calls (a débito)
  • Trava de alta com puts (a crédito)
Ver os valores em tabela
EstratégiaR$ 24R$ 26R$ 28R$ 30R$ 32R$ 34R$ 36
Trava de alta com calls (a débito)-0,75-0,75-0,75-0,75+1,25+2,25+2,25
Trava de alta com puts (a crédito)-1,30-1,30-1,30+0,70+0,70+0,70+0,70

Resultado por ação no vencimento, em R$, sem custos. Valores didáticos.

O gráfico mostra a diferença de temperamento. A trava com calls ganha mais (R$ 2,25 contra R$ 0,70), mas só dá lucro se a ação subir de verdade, acima de R$ 30,75. A trava com puts já dá lucro se a ação ficar parada ou cair um pouco, até R$ 29,30: você “vence” com mais frequência.

O contraponto

A trava com puts parece mais confortável, mas o desenho de risco precisa ser analisado com cuidado. No exemplo, o ganho máximo (R$ 0,70) é menor do que a perda máxima (R$ 1,30). Isso não permite concluir a taxa de acerto necessária sem considerar o tamanho e a distribuição dos resultados de cada operação, custos e probabilidades implícitas; e uma única queda forte apaga vários ganhos pequenos. Já a trava com calls arrisca pouco para ganhar mais, mas perde tudo se a ação ficar de lado. Nenhuma das duas é “melhor”: depende de quanto você acredita na alta e de qual risco aceita.

Como escolher os strikes

  • Strike comprado perto do preço atual (ATM) deixa a trava sensível à alta, mas custa mais.
  • Strike vendido perto da meta de preço que você considera realista: acima disso, você não ganha mesmo que a ação suba.
  • Vencimento com folga em relação à sua tese, porque o tempo trabalha contra quem paga prêmio.
  • Liquidez: prefira séries com negociação. Em opções sem liquidez, o spread entre compra e venda pode consumir o ganho.
  • Dependendo do estilo da opção, a perna vendida pode ser exercida antes do vencimento. Confira o estilo de exercício na especificação do contrato.

Travas de baixa

A trava de baixa é a imagem espelhada da trava de alta: para quem espera que o ativo caia, mas quer risco definido e um custo menor do que comprar uma put isolada. A Renova Invest a descreve como uma estrutura montada num cenário de possível queda, com duas operações simultâneas, de compra e de venda de opções do mesmo ativo, em que o ganho máximo ocorre quando o ativo fecha abaixo do strike menor.

Também há dois formatos, com as mesmas pernas da trava de alta, só que invertidas:

  • Com puts (a débito): compra uma put de strike maior e vende uma put de strike menor. Você paga para entrar e ganha se a ação cair.
  • Com calls (a crédito): vende uma call de strike menor e compra uma call de strike maior. Você recebe para entrar e ganha se a ação não subir.

Com a XPTO3 a R$ 30,00:

Formato Pernas Entrada Ganho máximo Perda máxima Empate
Trava de baixa com puts Compra put 30 (R$ 1,40) e vende put 28 (R$ 0,70) Paga R$ 0,70 R$ 1,30, com ação a R$ 28 ou menos R$ 0,70, com ação a R$ 30 ou mais R$ 29,30
Trava de baixa com calls Vende call 30 (R$ 1,50) e compra call 33 (R$ 0,75) Recebe R$ 0,75 R$ 0,75, com ação a R$ 30 ou menos R$ 2,25, com ação a R$ 33 ou mais R$ 30,75

Fórmulas para qualquer strike. Com puts: ganho máximo = diferença entre os strikes − débito; perda máxima = débito; empate = strike maior − débito. Com calls: ganho máximo = crédito; perda máxima = diferença entre os strikes − crédito; empate = strike menor + crédito.

A InfoMoney mostra um exemplo de trava de baixa com calls: compra de uma call de strike 42 a R$ 0,80 e venda de uma de strike 40 a R$ 1,50, com crédito de R$ 0,70. O lucro máximo é esse crédito, se a ação ficar abaixo de R$ 40, e a perda máxima é de R$ 1,30, com empate em R$ 40,70.

Quando cada formato faz sentido

  • Com puts (débito): você tem uma tese de queda, com um alvo de preço. Quanto mais a ação cair até o strike vendido, mais você ganha. Se a ação ficar parada, você perde o débito.
  • Com calls (crédito): você acha que a ação não vai subir além de um ponto, mesmo que fique de lado. Você ganha se ela cair, parar ou subir pouco, e perde se ela disparar.

O contraponto

A trava com calls a crédito pode parecer atraente porque lucra em vários cenários de preço no vencimento. Mas, no exemplo, o ganho máximo é de R$ 0,75 para uma perda máxima de R$ 2,25. A relação 1 para 3, sozinha, não determina a taxa de acerto necessária no longo prazo, pois o resultado depende da distribuição dos ganhos e perdas, dos custos e das probabilidades de cada cenário. Uma alta forte e inesperada (um balanço bom, uma notícia de fusão) leva a perda máxima de uma vez. Quem compra a trava com puts paga caro por uma queda que pode não vir, mas só perde o que pagou, e esse limite é o seu trunfo.

Outros cuidados: o lançador pode ser exercido antes do vencimento, dependendo do estilo da opção, e eventos como dividendos podem mudar o preço da ação e o strike da série. Antes de montar, confira na corretora quais garantias a trava exige.

Apostar na queda: todas as formas com opções

Para apostar na queda de uma ação com opções existem poucos caminhos, e cada um troca custo, risco e ganho de um jeito. Antes de escolher, responda três perguntas: quanto eu acho que ela cai, até quando, e quanto aceito perder se eu errar.

Com a XPTO3 a R$ 30,00 (valores didáticos, por ação):

Estratégia Montagem Entrada Ganho máximo Perda máxima Empate
Compra de put Compra put 30 (R$ 1,40) Paga R$ 1,40 R$ 28,60, se a ação for a zero R$ 1,40 R$ 28,60
Trava de baixa com puts Compra put 30 e vende put 28 Paga R$ 0,70 R$ 1,30, com ação a R$ 28 ou menos R$ 0,70 R$ 29,30
Trava de baixa com calls Vende call 30 (R$ 1,50) e compra call 33 (R$ 0,75) Recebe R$ 0,75 R$ 0,75, com ação a R$ 30 ou menos R$ 2,25 R$ 30,75
Venda de call a seco Vende call 30 (R$ 1,50), sem ter a ação nem comprar outra call Recebe R$ 1,50 R$ 1,50 Sem limite, a ação pode subir indefinidamente R$ 31,50
Put com razão 1 por 2 (avançada) Compra 1 put 30 (R$ 1,40) e vende 2 puts 28 (R$ 0,70 cada) Custo zero R$ 2,00, com ação exatamente a R$ 28 R$ 26,00, se a ação for a zero R$ 26,00 (abaixo disso, perde)
Apostas na queda: resultado no vencimento
Apostas na queda: resultado no vencimentoA compra de put continua ganhando conforme a ação cai. As travas têm ganho e perda limitados. A venda de call a seco perde sem limite se a ação sobe.-6-4-2024624262830323436ação hoje: R$ 30Preço da ação no vencimento (R$)Resultado por ação (R$)
  • Compra de put
  • Trava de baixa com puts
  • Trava de baixa com calls
  • Venda de call a seco
Ver os valores em tabela
EstratégiaR$ 24R$ 26R$ 28R$ 30R$ 32R$ 34R$ 36
Compra de put+4,60+2,60+0,60-1,40-1,40-1,40-1,40
Trava de baixa com puts+1,30+1,30+1,30-0,70-0,70-0,70-0,70
Trava de baixa com calls+0,75+0,75+0,75+0,75-1,25-2,25-2,25
Venda de call a seco+1,50+1,50+1,50+1,50-0,50-2,50-4,50

Resultado por ação no vencimento, em R$, sem custos. Valores didáticos.

O gráfico deixa três coisas óbvias. Entre as estratégias direcionais da tabela, a compra de put é a que continua aumentando seu ganho à medida que a ação cai até zero. As travas têm ganho e perda de tamanho conhecido, e a de débito com puts custa pouco. E a venda de call a seco (em vermelho) é a única que perde sem teto quando a ação sobe. A de razão 1 por 2, que não está no gráfico, parece “grátis”, mas vira uma venda de put descoberta se a ação despenca, o que é o contrário de uma aposta na queda.

Qual usar, conforme o cenário

  • Queda forte e rápida, com um evento marcado (balanço, decisão de juros): compra de put. Perde pouco se errar, e ganha muito se acertar, mas o prêmio é caro justamente antes do evento.
  • Queda moderada, até um alvo: trava de baixa com puts. Mais barata que a put, e você sabe o ganho máximo.
  • “Ela não deve subir além de um ponto”: trava de baixa com calls (crédito). Ganha com a ação caindo, parada ou subindo pouco, mas a perda máxima é três vezes o ganho, no exemplo.
  • Venda de call a seco: não é recomendada para iniciantes. A B3 exige garantias para quem vende opções sem cobertura, e a perda pode ultrapassar muito o que você tem na conta.
  • Já tem a ação e teme a queda: isso é proteção, não aposta. Veja a put protetora e o collar na seção de estratégias básicas.

Existem também caminhos fora das opções, como vender ações alugadas ou vender contratos futuros de índice, com outras regras e outros riscos, e que este guia não detalha.

Por que apostar na queda é mais difícil do que parece

Acertar a direção não basta. A queda precisa vir antes do vencimento e na intensidade que paga o prêmio. Uma queda que chega apenas depois do vencimento não ajuda aquela opção, e uma queda lenta pode ser insuficiente para compensar a perda de valor temporal. Depois de um evento, a volatilidade implícita também pode cair e reduzir o prêmio da put, mesmo que o ativo tenha se movido na direção esperada. Quem compra put repetidamente sem uma tese com prazo costuma ver o prêmio se esgotar mês após mês.

Outras estratégias: quando você não sabe a direção

Nem toda tese é “vai subir” ou “vai cair”. Algumas apostam no tamanho do movimento, e outras na ausência dele. A InfoMoney agrupa essas estratégias entre as de volatilidade e as de lateralização. Com a XPTO3 a R$ 30,00 e os mesmos prêmios didáticos:

Estratégia Montagem Aposta em Ganho máximo Perda máxima Empates
Straddle comprado Compra call 30 (R$ 1,50) e put 30 (R$ 1,40) Movimento forte, para qualquer lado Ilimitado na alta R$ 2,90, com ação exatamente a R$ 30 R$ 27,10 e R$ 32,90
Strangle comprado Compra call 33 (R$ 0,75) e put 28 (R$ 0,70) Movimento forte, com custo menor Ilimitado na alta R$ 1,45, com ação entre R$ 28 e R$ 33 R$ 26,55 e R$ 34,45
Borboleta com calls Compra call 30 (R$ 1,50), vende 2 calls 32 (R$ 0,90 cada) e compra call 34 (R$ 0,40) Ação parada perto de R$ 32 R$ 1,90, com ação a R$ 32 R$ 0,10 R$ 30,10 e R$ 33,90

Straddle e strangle

São apostas em volatilidade. Você compra uma call e uma put juntas e só ganha se a ação se mexer mais do que o custo total dos prêmios. O strangle usa strikes mais afastados: custa menos, mas exige um movimento ainda maior. Pelo que a InfoMoney descreve, o risco de ambos é perder os prêmios se a ação ficar parada, com perda de valor pela passagem do tempo. Costumam ser usadas antes de eventos, e o contraponto é que o mercado já sabe do evento: o prêmio vem inflado pela volatilidade, e depois do anúncio ele despenca mesmo que a ação se mexa um pouco.

Borboleta (butterfly) e condor

São apostas na lateralização. Na borboleta, você monta uma estrutura que paga o máximo se a ação terminar exatamente no strike do meio, e perde pouco (aqui, R$ 0,10) se ela sair para qualquer lado. No exemplo, o retorno máximo potencial é alto em relação ao débito inicial (R$ 1,90 contra R$ 0,10), mas o ganho máximo ocorre apenas no strike central no vencimento; resultados positivos podem existir numa faixa entre os pontos de equilíbrio. O condor é um parente com topo achatado: ganha numa faixa de preço em vez de um ponto só.

Calendário (trava de tempo)

Compra uma opção de vencimento mais longo e vende uma de vencimento mais curto, no mesmo strike. A ideia é lucrar com o desgaste mais rápido da opção curta. É mais sensível à volatilidade do que à direção, e exige liquidez em dois vencimentos, então fica para depois que você dominar as travas.

Todas essas estruturas têm risco definido quando montadas apenas com compras, ou com compras que cobrem as vendas. Qualquer uma que tenha vendas descobertas passa a ter risco ilimitado ou muito alto, e exige garantia na corretora.

Riscos, garantias e erros comuns em opções

O risco muda de natureza conforme o lado em que você está.

Lado Risco principal Exige garantia?
Titular (comprou call ou put) Perder 100% do prêmio se a opção expirar sem valor ou for encerrada com perda total do prêmio Em uma compra simples, o prêmio é desembolsado na contratação; exigências operacionais podem variar conforme a corretora
Lançador coberto (vendeu call tendo a ação, ou put com o dinheiro reservado) Abrir mão da alta, ou comprar uma ação que despencou A própria ação ou o dinheiro servem de cobertura
Lançador descoberto (vendeu sem cobertura) Perda muito alta, ilimitada no caso da call Sim: a Brapi lembra que a venda descoberta pode ter risco muito alto e exige margem

Pontos que costumam surpreender

  • Garantias e margem. Quem vende opções precisa deixar garantias na corretora, e as regras variam. Se a posição se move contra você, a corretora pode pedir mais garantia ou encerrar a posição. Confirme as regras da sua corretora antes de montar qualquer estrutura vendida.
  • Exercício. Na B3, opções dentro do dinheiro podem ser exercidas automaticamente no vencimento, observadas as regras do contrato e a possibilidade de contrary exercise. Em uma call exercida, o titular compra o ativo-objeto pelo strike; em uma put exercida, vende o ativo pelo strike. Portanto, não deixe uma posição chegar ao vencimento sem entender as consequências financeiras e operacionais.
  • Liquidez. Uma opção pode ter preço teórico e uma diferença de compra e venda tão grande que sair custa caro. Prefira séries com negociação e confira o spread antes de enviar a ordem.
  • Dividendos e eventos. Pagamentos de proventos, desdobramentos e outras operações societárias podem ajustar o strike e o código da série.
  • Tempo. O valor extrínseco diminui a cada dia (theta), e o desgaste acelera perto do vencimento.
  • Volatilidade. A opção pode perder valor mesmo com o ativo parado, porque a volatilidade implícita caiu (vega).
  • Opções semanais. Possuem prazo curto e podem apresentar forte sensibilidade à passagem do tempo e aos movimentos do ativo. Exigem atenção especial a vencimento, liquidez, volatilidade e exercício.

Erros comuns de iniciante

  1. Comprar opções muito baratas e muito fora do dinheiro apenas porque o prêmio parece pequeno. Elas exigem movimentos maiores do ativo para gerar valor intrínseco e podem expirar sem valor.
  2. Colocar quase toda a carteira em prêmios, em vez de uma fatia pequena.
  3. Vender opções descobertas atrás do prêmio, sem enxergar o tamanho da perda possível.
  4. Acertar a direção e errar o prazo: a ação sobe, mas depois do vencimento.
  5. Ignorar custos: corretagem, emolumentos e spread comem uma fatia grande de ganhos pequenos, principalmente nas travas.
  6. Deixar a posição correr até o vencimento sem plano de saída.
  7. Operar sem simular antes e sem anotar cada operação.

Impostos sobre opções

Para pessoa física, os ganhos líquidos em operações comuns com opções realizadas em bolsa são tributados, em regra, à alíquota de 15%. Operações caracterizadas como day trade são tributadas a 20%.

A Receita Federal confirma essas alíquotas no Perguntas e Respostas IRPF 2026.

Operação Alíquota Isenção mensal de R$ 20 mil
Opções — operação comum 15% Não
Opções — day trade 20% Não

A conhecida isenção para alienações de até R$ 20 mil no mês é restrita, nas condições legais, a ações no mercado à vista e ouro ativo financeiro. Ela não se aplica às operações com opções.

IRRF, o chamado “dedo-duro”

Nas operações comuns em bolsa, a Receita informa retenção de IR na fonte de 0,005%, observadas as regras e dispensas aplicáveis. Essa retenção funciona como antecipação e pode ser compensada na apuração do imposto devido.

No day trade existem regras próprias de IRRF; não confunda a retenção na fonte com a alíquota final de 20% sobre o ganho líquido.

Day trade ou operação comum?

A caracterização tributária de day trade depende das operações realizadas com o mesmo ativo no mesmo pregão, conforme as regras fiscais aplicáveis.

Por isso, não classifique automaticamente uma estrutura inteira apenas pelo nome “trava”. O enquadramento deve considerar as operações efetivamente executadas.

Como o imposto é calculado

  • Base: ganho líquido apurado conforme as regras tributárias, considerando custos admitidos.
  • Alíquota: 15% nas operações comuns e 20% no day trade.
  • Compensação de prejuízos: deve respeitar a separação tributária aplicável, especialmente entre operações comuns e day trade.
  • Pagamento: quando houver imposto devido, o recolhimento é feito por DARF, código 6015, até o último dia útil do mês seguinte ao da apuração.
  • IRRF: pode ser compensado conforme as regras da Receita.

Exemplo simplificado: um ganho líquido tributável de R$ 2.000 em operações comuns com opções gera R$ 300 de IR antes da compensação de eventual IRRF e de outros ajustes admitidos. Se o mesmo ganho líquido for caracterizado como day trade, a alíquota de 20% corresponde a R$ 400.

Exercício, vencimento e custo de aquisição

O tratamento fiscal de opções exercidas, opções que expiram sem exercício e posições encerradas por negociação possui regras próprias para apuração de ganho ou perda.

Evite resumir todos os casos à fórmula “strike + prêmio”, porque o tratamento depende de o contribuinte ser titular ou lançador, de ser call ou put e de haver exercício, encerramento ou expiração.

Mantenha as notas de corretagem e um controle com:

  • série negociada;
  • quantidade;
  • prêmio;
  • data;
  • custos;
  • exercício ou encerramento;
  • resultado;
  • IRRF;
  • DARFs pagos.

Como declarar

Os resultados das operações em bolsa devem ser informados na declaração anual nas fichas correspondentes de renda variável, de acordo com as regras do programa do IRPF do respectivo exercício.

Como códigos e telas da declaração podem mudar de um exercício para outro, este artigo evita fixar um código de “Bens e Direitos” como regra permanente. Consulte o manual da Receita referente ao ano da declaração.

Como começar com segurança

As opções não são o ponto de partida de uma carteira. Antes de pensar nelas, vale ter reserva de emergência, uma base de renda fixa e ações ou fundos que você entenda. Opções são uma camada por cima disso, com uma fatia pequena do patrimônio.

  1. Aprenda a mecânica sem dinheiro. Estude call, put, strike, vencimento e as gregas, e simule operações no papel ou numa conta de simulação (muitas plataformas oferecem).
  2. Escolha uma corretora com boa plataforma de opções, com cadeia de opções, gregas e gráfico de resultado no vencimento. Para operar, em geral a corretora pede que você habilite o mercado de derivativos e assine um termo de ciência dos riscos.
  3. Comece pelo lado comprador e por travas. Compras e travas têm perda máxima conhecida. Deixe as vendas descobertas de fora.
  4. Defina o quanto aceita perder por operação antes de entrar. Uma regra comum entre profissionais é arriscar uma fração pequena do patrimônio em cada operação, e o valor certo depende de você.
  5. Tenha um plano de saída: o preço ou o dia em que você encerra, ganhando ou perdendo, e não só o plano de entrada.
  6. Anote tudo (data, série, prêmio, resultado, motivo) e revise por alguns meses.
  7. Reserve o dinheiro do imposto de cada mês lucrativo, já que o DARF vence no mês seguinte.

Lista de verificação antes de cada operação

  • Sei dizer em uma frase qual é minha tese: direção, alvo e prazo.
  • Conheço a perda máxima em reais, e ela cabe no que eu aceito perder.
  • Conferi a liquidez e o spread das séries que vou usar.
  • Sei o preço de empate e o ponto de saída.
  • Vi a data do vencimento e se há evento (balanço, dividendos, decisão de juros) antes dela.
  • Se vendi alguma opção, tenho garantia ou cobertura.
  • Calculei os custos e o imposto sobre o ganho esperado.

Se qualquer item ficar sem resposta, espere.

Glossário rápido

Termo Significado simples
ATM, ITM, OTM Na linha, dentro e fora do dinheiro: a posição do strike em relação ao preço do ativo
Call Opção que dá o direito de comprar o ativo pelo strike
Collar Put comprada e call vendida sobre uma ação que você já tem, formando piso e teto
Débito e crédito Quando a montagem custa dinheiro (débito) ou paga dinheiro (crédito)
Delta Quanto o prêmio varia quando o ativo muda R$ 1
Exercício Uso do direito da opção: comprar (call) ou vender (put) pelo strike
Garantia (margem) Valor ou ativos depositados para cobrir as obrigações de quem vende opções
Lançador Quem vende a opção e assume a obrigação
Prêmio O preço da opção
Put Opção que dá o direito de vender o ativo pelo strike
Spread Duas coisas: a diferença entre compra e venda de um papel, ou a trava de opções
Strike Preço de exercício da opção
Theta Perda de valor da opção por dia, pela passagem do tempo
Titular Quem compra a opção e tem o direito
Trava Compra e venda de opções ao mesmo tempo, com strikes diferentes
Valor extrínseco Parte do prêmio que paga pelo tempo e pela volatilidade
Valor intrínseco Quanto a opção valeria se vencesse agora
Vega Quanto o prêmio varia quando a volatilidade muda
Volatilidade implícita O quanto o mercado espera que o ativo oscile, deduzido do preço das opções

Fontes e referências

Fontes consultadas e revisadas em 23 de outubro de 2026.

Fontes oficiais — B3

Fonte oficial — Receita Federal

Referências didáticas complementares

  • InfoMoney — materiais educacionais sobre estratégias com opções.
  • Suno — material educacional sobre trava de alta.
  • Renova Invest — material educacional sobre trava de baixa.

Importante: os prêmios, strikes e preços usados nos exemplos são fictícios. Garantias, margens, disponibilidade de séries, custos e regras operacionais podem variar. Confira as especificações vigentes na B3 e na sua corretora antes de operar.

Perguntas frequentes

O que são opções na B3?

São contratos que dão ao titular o direito, sem a obrigação, de comprar (call) ou vender (put) um ativo por um preço de exercício definido. Quem vende a opção assume a obrigação correspondente e recebe o prêmio.

Qual a diferença entre call e put?

A call dá o direito de comprar o ativo pelo strike e tende a ser favorecida pela alta. A put dá o direito de vender o ativo pelo strike e tende a ser favorecida pela queda. O resultado também depende do prêmio, do tempo e da volatilidade.

Quanto posso perder comprando uma opção?

Em uma compra simples de call ou put, a perda máxima na própria opção é o prêmio pago. Quem vende opções sem cobertura pode ter perdas muito maiores.

O que é uma trava de alta?

É a montagem de duas opções ao mesmo tempo, uma comprada e outra vendida, com strikes diferentes, para quem espera alta do ativo. O ganho e a perda ficam limitados.

Como apostar na queda de uma ação com opções?

Os caminhos mais comuns são a compra de put, a trava de baixa com puts e a trava de baixa com calls. Cada um troca custo, risco e ganho de um jeito, e a venda de call a seco tem risco sem limite.

Existe isenção de R$ 20 mil em opções?

Não. A isenção de R$ 20 mil é restrita, nas condições legais, a ações no mercado à vista e ouro ativo financeiro. Em opções, o ganho líquido em operações comuns é tributado a 15% e o day trade a 20%.

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Conteúdo educacional. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo. Regras, taxas e impostos mudam com o tempo: confirme as informações vigentes antes de investir.