O Bitcoin nasceu em 2008, no meio da maior crise financeira desde 1929, como uma ideia ousada: um dinheiro digital que ninguém controla, que funciona sem bancos e que não pode ser impresso à vontade. Quase vinte anos depois, ele saiu dos fóruns de programadores e chegou às carteiras de fundos de investimento, empresas listadas em bolsa e até governos. Este guia conta essa história de 2008 até hoje e, no caminho, explica como o Bitcoin e a blockchain funcionam, o que é o halving, como foi a entrada dos investidores institucionais e quais são os riscos.
Resumo rápido
- Bitcoin (BTC): a primeira criptomoeda, criada por alguém (ou algum grupo) que assinou como Satoshi Nakamoto. Funciona em uma rede de computadores, sem empresa ou banco central no comando.
- Blockchain: o registro público e compartilhado de todas as transações, organizado em blocos ligados uns aos outros.
- Escassez: só podem existir 21 milhões de bitcoins. Mais de 20 milhões já foram emitidos.
- Halving: a cada 210 mil blocos (cerca de 4 anos), a recompensa dos mineradores cai pela metade. O último foi em abril de 2024.
- Entrada institucional: empresas, fundos e ETFs passaram a comprar e a guardar bitcoin, principalmente a partir de 2020 e de 2024.
- Risco: o preço é muito volátil. Já caiu mais de 70% do pico ao fundo, em cerca de um ano, mais de uma vez, e isso pode acontecer de novo.
Antes do Bitcoin: o problema que ele quis resolver
Pagar pela internet sempre exigiu um intermediário: um banco, uma operadora de cartão, um serviço de pagamento. Eles confirmam que você tem o dinheiro e que não vai gastá-lo duas vezes. Isso funciona, mas tem custos, depende da confiança nessas instituições e permite que contas sejam bloqueadas, taxas sejam cobradas e transferências sejam recusadas.
Os primeiros experimentos de dinheiro digital sem banco esbarravam no chamado problema do gasto duplo: como evitar que alguém copie um arquivo de "dinheiro" e o gaste duas vezes, se não existe uma autoridade central para conferir? Criptógrafos tentaram resolver isso nos anos 1990 e 2000, com propostas como o b-money e o Bit Gold, mas nenhuma pegou. Faltava uma peça: um jeito de milhares de desconhecidos concordarem sobre quem tem o quê, sem confiar uns nos outros.
2008: a crise financeira e o whitepaper
Em setembro de 2008, o banco de investimentos americano Lehman Brothers quebrou, e a crise financeira se espalhou pelo mundo. Governos resgataram bancos com dinheiro público, e muita gente perdeu a confiança no sistema financeiro. Foi nesse cenário que, em 31 de outubro de 2008, alguém usando o nome Satoshi Nakamoto publicou em uma lista de e-mails de criptografia o texto "Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System", o chamado whitepaper do Bitcoin.
O documento, de cerca de nove páginas, propunha um sistema de pagamentos eletrônicos direto entre pessoas, sem instituição financeira no meio. A solução do gasto duplo era uma rede em que todos os participantes guardam o mesmo registro de transações e uma regra de consenso baseada em trabalho computacional, a prova de trabalho (proof of work).
2009: o bloco gênese e as primeiras transações
Em 3 de janeiro de 2009, Satoshi minerou o primeiro bloco da rede, chamado de bloco gênese. Dentro dele há uma mensagem gravada: a manchete do jornal britânico The Times daquele dia, sobre o governo preparar um segundo socorro aos bancos. A mensagem marca a data e é lida como uma crítica ao sistema da época.
Poucos dias depois, em 12 de janeiro, aconteceu a primeira transferência entre pessoas: Satoshi enviou 10 bitcoins ao programador Hal Finney, um dos primeiros apoiadores do projeto. Nessa fase, o Bitcoin era uma curiosidade de entusiastas, e mineirar era possível em um computador comum.
Como a blockchain funciona
Para entender a história, vale entender o mecanismo. Uma explicação simples, em etapas:
- Transações: quando alguém envia bitcoin, a transação é assinada com uma chave privada, uma chave criptográfica secreta que só o dono da carteira deve ter, e transmitida à rede.
- Blocos: as transações pendentes são reunidas em um bloco. Em média, a rede gera um novo bloco a cada 10 minutos.
- Corrente de blocos: cada bloco contém uma "impressão digital" matemática (hash) do bloco anterior. Alterar uma transação antiga mudaria o hash dessa e de todas as seguintes, o que seria detectado. É daí que vem o nome blockchain, ou "corrente de blocos".
- Nós: milhares de computadores guardam uma cópia do registro e conferem as regras. Se alguém tenta trapacear, os outros rejeitam.
- Mineração: os mineradores competem para resolver um desafio matemático que dá o direito de adicionar o próximo bloco. Quem consegue recebe bitcoins novos (a recompensa) e as taxas das transações do bloco. Isso custa energia e equipamento, o que dificulta ataques.
- Ajuste de dificuldade: a cada 2.016 blocos, aproximadamente duas semanas, a rede ajusta a dificuldade do desafio para manter o ritmo de cerca de 10 minutos por bloco, não importa quantos mineradores existam.
O resultado é um registro que ninguém controla sozinho e que é difícil de alterar depois de gravado. Isso não torna o Bitcoin "seguro" no sentido de proteger você de golpes ou de erros: a segurança da rede é uma coisa, a segurança da sua carteira e das plataformas que você usa é outra.
Para entender o ecossistema mais amplo, leia também o que são criptomoedas.
A escassez programada: 21 milhões
Uma regra do código do Bitcoin limita a emissão a 21 milhões de unidades. Diferente de uma moeda como o real, que o Banco Central pode emitir conforme a política monetária, o Bitcoin segue um cronograma fixo e conhecido. Em 9 de março de 2026, o bitcoin de número 20 milhões foi emitido, no bloco 940.000. Isso quer dizer que cerca de 95% do total já existe. O último deve ser minerado por volta do ano 2140, porque a emissão desacelera cada vez mais.
Parte desses bitcoins está perdida para sempre, em carteiras cujas chaves ninguém tem mais, e uma quantidade grande pertence a Satoshi, estimada por analistas em mais de um milhão de unidades que nunca foram movimentadas. Esses números são estimativas, e não dados oficiais.
O halving: a recompensa cai pela metade
O mecanismo que controla essa emissão é o halving (ou "halvening"). A cada 210 mil blocos, o que leva cerca de quatro anos, a recompensa que os mineradores recebem por bloco é cortada pela metade. Isso reduz a velocidade com que novos bitcoins entram em circulação.
| Halving | Data | Recompensa por bloco |
|---|---|---|
| Início (2009) | 3 de janeiro de 2009 | 50 BTC |
| 1º halving | 28 de novembro de 2012 | 25 BTC |
| 2º halving | 9 de julho de 2016 | 12,5 BTC |
| 3º halving | 11 de maio de 2020 | 6,25 BTC |
| 4º halving | 20 de abril de 2024 | 3,125 BTC |
| 5º halving (previsto) | por volta de 2028 (bloco 1.050.000) | 1,5625 BTC |
Os defensores do Bitcoin argumentam que a oferta cada vez menor, somada a uma demanda estável ou crescente, tende a pressionar o preço para cima no longo prazo. Historicamente, os grandes picos de preço vieram de 12 a 18 meses depois de um halving. Mas isso é um padrão observado em poucos ciclos, e não uma lei: o preço depende da demanda, da liquidez global, dos juros, das notícias e do humor do mercado. O halving também é um fato conhecido de antemão, e o mercado pode já tê-lo "precificado".
2010 a 2013: da pizza ao primeiro boom
Em 22 de maio de 2010, o programador Laszlo Hanyecz pagou 10 mil bitcoins por duas pizzas, na primeira compra de um produto físico com a moeda. A data é lembrada todos os anos como o Bitcoin Pizza Day. Naquela época, 10 mil BTC valiam algumas dezenas de dólares. Hoje, o mesmo montante valeria centenas de milhões de dólares, o que faz da história um símbolo do quanto o preço mudou.
Em 2011, o bitcoin chegou à paridade com o dólar e foi adotado em mercados online, inclusive no Silk Road, um mercado ilegal na internet que ajudou a dar ao Bitcoin uma fama associada a atividades criminosas. Ainda em 2011, Satoshi sumiu: suas últimas comunicações públicas são de abril daquele ano. A identidade dele nunca foi comprovada.
Em 2013, o preço ultrapassou US$ 1.000 pela primeira vez. Em fevereiro de 2014, a corretora japonesa Mt. Gox, que chegou a movimentar a maior parte das negociações do mundo, quebrou após anunciar a perda de aproximadamente 850 mil bitcoins, entre os de clientes e os da própria empresa, dos quais cerca de 200 mil foram localizados depois. Foi o primeiro grande exemplo do risco de deixar as moedas sob a guarda de uma plataforma, o que voltaria a se repetir.
2014 a 2017: tecnologia, ICOs e a primeira bolha
Depois da queda de 2014, o Bitcoin viveu uma longa fase de baixa e de reconstrução. Surgiram novas criptomoedas, entre elas o Ethereum (2015), que ampliou a ideia da blockchain para "contratos inteligentes", programas que rodam na própria rede. Em 2017, uma onda de captações públicas de novas moedas, as ICOs, atraiu milhões de pessoas. Em agosto, uma disputa sobre como aumentar a capacidade da rede resultou em uma divisão (fork) e na criação do Bitcoin Cash.
No fim de 2017, o preço do Bitcoin chegou perto de US$ 20 mil. O fenômeno apareceu nos noticiários do mundo todo e atraiu muita gente movida pelo medo de ficar de fora. Em 2018, o preço caiu mais de 80% a partir do pico, e muita gente que entrou no topo ficou anos no prejuízo. Esse ciclo de euforia e queda se repetiria nos anos seguintes.
2020 e 2021: pandemia, dinheiro barato e as empresas
Em março de 2020, o pânico causado pela pandemia derrubou todos os mercados, inclusive o Bitcoin, que perdeu cerca de metade do valor em poucos dias. Em seguida, bancos centrais do mundo todo cortaram os juros e injetaram dinheiro na economia. Com juros baixos e muita liquidez, investidores buscaram ativos alternativos. Em maio de 2020 aconteceu o terceiro halving.
Foi nessa fase que o Bitcoin passou a ser visto também por empresas. Em agosto de 2020, a empresa de software MicroStrategy, hoje chamada Strategy, anunciou que tinha comprado bitcoin com o caixa da companhia e passou a adotar a moeda como reserva. Em 2021, a Tesla anunciou uma compra de US$ 1,5 bilhão, e a Coinbase, uma das maiores corretoras de cripto, abriu capital na bolsa americana. Também em 2021, El Salvador se tornou o primeiro país a reconhecer o Bitcoin como moeda de curso legal, uma medida que depois foi parcialmente revista.
No Brasil, o ano de 2021 marcou a chegada de produtos de cripto à B3: foram lançados os primeiros ETFs de criptomoedas, entre eles o BITH11, de Bitcoin, em agosto de 2021. Em novembro de 2021, o Bitcoin atingiu cerca de US$ 69 mil, a nova máxima da época.
2022: o ano das quebras
O ano seguinte foi o oposto. Com a inflação alta, os bancos centrais passaram a subir os juros, e os ativos de risco caíram. Em maio de 2022, a stablecoin Terra/Luna desmoronou. Empresas de crédito em cripto, como a Celsius e a Three Arrows Capital, quebraram em cadeia. Em novembro, a corretora FTX, uma das maiores do mundo, pediu falência, e seu fundador Sam Bankman-Fried foi considerado culpado de fraude em 2023 e sentenciado em 2024.
O preço do Bitcoin caiu para algo perto de US$ 15,5 mil no fim de 2022, uma queda de cerca de 77% desde o pico. A rede do Bitcoin, no entanto, continuou funcionando normalmente, sem interrupção. A lição, reforçada por Mt. Gox e FTX, era que o risco estava nas empresas que guardam as moedas, e não só no protocolo.
2023 a 2024: a regulação e os ETFs de Bitcoin à vista
A virada seguinte veio do sistema financeiro tradicional. Depois de anos de pedidos recusados, a SEC, o órgão regulador do mercado americano, aprovou em 10 de janeiro de 2024 onze ETFs de Bitcoin à vista (spot), que passaram a ser negociados no dia seguinte. Esses fundos compram e guardam bitcoin de verdade, e permitem que o investidor tenha exposição a ele por uma corretora comum, como se comprasse uma ação, sem lidar com carteiras e chaves. Entre os principais estão o IBIT, da BlackRock, e o FBTC, da Fidelity.
A demanda foi grande: nos primeiros meses, os ETFs captaram dezenas de bilhões de dólares, e os maiores passaram a acumular mais de um milhão de bitcoins somados, segundo dados de mercado. Em março de 2024, o Bitcoin superou a máxima de 2021, antes mesmo do halving, algo inédito na história. Em 20 de abril de 2024, ocorreu o quarto halving, no bloco 840.000, reduzindo a recompensa para 3,125 BTC.
No mesmo período, as primeiras restituições aos credores da Mt. Gox começaram a sair, e governos acompanharam o setor mais de perto. Para saber mais sobre produtos parecidos na bolsa, veja o que são ETFs.
2024 e 2025: US$ 100 mil e o apoio de governos
Em novembro de 2024, Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, depois de uma campanha em que prometeu uma postura favorável a cripto. O mercado reagiu, e o Bitcoin ultrapassou os US$ 100 mil pela primeira vez em dezembro de 2024.
Em 6 de março de 2025, Trump assinou uma ordem executiva criando a Reserva Estratégica de Bitcoin dos Estados Unidos. A medida determinou que os bitcoins apreendidos pelo governo federal em processos criminais e civis fossem reunidos em uma reserva gerida pelo Tesouro e que não fossem vendidos. A ordem também pediu estudos para adquirir mais, sem custo adicional ao orçamento. Segundo análises publicadas em março de 2026, o governo detinha cerca de 328 mil bitcoins, todos apreendidos, e ainda não havia feito compras. A criação de uma reserva com compras depende de lei no Congresso, e projetos nesse sentido seguem em tramitação. Vale acompanhar o desenrolar, porque isso pode mudar.
Várias empresas seguiram o caminho da MicroStrategy e passaram a manter bitcoin no caixa, e as grandes gestoras ampliaram o acesso a produtos de cripto. O Bitcoin passou a ser tratado, por parte do mercado, como um ativo de portfólio, e não só como uma aposta de especuladores.
O pico de outubro de 2025 e a queda seguinte
Em outubro de 2025, o Bitcoin atingiu a máxima histórica, na faixa de US$ 126 mil. Poucos dias depois, em 10 de outubro, uma queda brusca provocou a liquidação forçada de posições alavancadas em todo o mercado, com perdas estimadas em mais de US$ 19 bilhões. Analistas apontaram o excesso de alavancagem e a mudança de humor como causas principais. O Bitcoin terminou 2025 perto de US$ 87 mil.
Em 2026, a queda continuou. Em meados do ano, o Bitcoin chegou a negociar perto de US$ 59 mil, cerca de metade do pico. Alguns analistas associaram o movimento aos ciclos anteriores, que costumam ter uma forte correção depois do auge, e notaram que, apesar do tombo, a demanda por produtos regulados continuava presente. Na data em que este artigo foi escrito, em outubro de 2026, o Bitcoin estava perto de US$ 82 mil, cerca de 35% abaixo da máxima. Os fundos de ETF americanos, por sua vez, tiveram semanas de resgate líquido e semanas de entrada líquida, o que mostra que a demanda institucional oscila junto com o preço.
Você pode acompanhar a cotação atual, em reais, na página de Cotações e o painel de mercado na página de Criptomoedas. Quando ler este artigo, os números podem ser bem diferentes.
| Ano | Marco | Ordem de grandeza do preço |
|---|---|---|
| 2008 | Crise financeira e publicação do whitepaper | Ainda não existia |
| 2009 | Bloco gênese e primeiras transações | Sem cotação relevante |
| 2010 | Pizza Day | Centavos de dólar |
| 2013 | Primeiro avanço acima de US$ 1.000 | Mais de US$ 1.000 |
| 2014 | Quebra da Mt. Gox | Queda forte |
| 2017 | Boom das ICOs | Perto de US$ 20 mil |
| 2020 | Pandemia, 3º halving, empresas compram | De cerca de US$ 4 mil a quase US$ 30 mil |
| 2021 | Tesla, Coinbase, El Salvador, BITH11 | Cerca de US$ 69 mil (pico) |
| 2022 | Terra/Luna, Celsius, FTX | Perto de US$ 15,5 mil (fundo) |
| 2024 | ETFs à vista nos EUA e 4º halving | Acima de US$ 100 mil em dezembro |
| 2025 | Reserva Estratégica, máxima histórica | Cerca de US$ 126 mil (pico) |
| 2026 | Correção e novo patamar | Entre cerca de US$ 59 mil e US$ 82 mil |
O Bitcoin no Brasil
Segundo diversos levantamentos, o Brasil está entre os países com mais usuários de criptomoedas no mundo. Alguns marcos:
- Marco legal: a Lei 14.478, de 2022, criou as bases para a regulação dos ativos virtuais e das empresas que prestam serviços com eles.
- Banco Central: em novembro de 2025, o BC publicou as resoluções 519, 520 e 521, que regulam as prestadoras de serviços de ativos virtuais, definem exigências como capital mínimo e governança e colocam operações de cripto com o exterior sob regras de câmbio. As regras passaram a valer em 2026, com prazo de adaptação para as empresas.
- ETFs na B3: desde 2021, é possível ter exposição ao Bitcoin pela bolsa, em reais, com ETFs como o BITH11.
- Imposto: o ganho na venda de criptomoedas é tributado e deve ser informado à Receita Federal. As regras sobre faixas de isenção e alíquotas já foram alvo de propostas de mudança, então confirme o que vale na data em que você for vender.
Para entender o passo a passo prático, veja como investir em criptomoedas. Para calcular lucro e retorno de uma venda, use a calculadora de lucro em cripto.
Bitcoin é reserva de valor, moeda ou aposta?
As opiniões divergem, e vale conhecer os argumentos dos dois lados.
O que os defensores dizem:
- A oferta é limitada e previsível, ao contrário das moedas tradicionais.
- Funciona 24 horas, em qualquer país, sem depender de bancos.
- É difícil de confiscar ou de censurar para quem guarda as próprias chaves.
- A adoção por fundos regulados e por empresas aumenta a legitimidade.
- É chamado de "ouro digital", como proteção contra a perda de poder de compra das moedas.
O que os críticos dizem:
- Não gera fluxo de caixa, como lucro de empresas ou aluguel. Seu valor depende de outras pessoas estarem dispostas a pagar mais.
- O preço é muito volátil, o que atrapalha o uso como moeda e como reserva de valor de curto prazo. Ele já caiu mais de 70% do pico ao fundo, em cerca de um ano, mais de uma vez.
- Em momentos de estresse, o Bitcoin tem se movido junto com ativos de risco, como ações de tecnologia, e não como um refúgio.
- A mineração consome muita energia, embora a origem e o impacto dessa energia sejam debatidos.
- A posse é concentrada: um grupo pequeno de endereços detém uma parte grande da oferta.
- Há golpes, plataformas fraudulentas e risco regulatório.
Nenhum dos lados tem a resposta definitiva. O que a história mostra é que o Bitcoin sobreviveu a vários ciclos de queda, e que o preço continua sendo muito difícil de prever.
Os principais riscos de investir em Bitcoin
- Volatilidade: quedas de 50% ou mais já aconteceram várias vezes, e podem se repetir.
- Risco de custódia: se você deixa as moedas em uma plataforma, depende dela. Mt. Gox e FTX mostram o que pode acontecer. Se você guarda as chaves em uma carteira própria, a perda da frase de recuperação significa a perda das moedas, sem recurso.
- Golpes: promessas de retorno garantido, "multiplicação de bitcoin", sites falsos e perfis de famosos falsos são comuns.
- Alavancagem: operar com dinheiro emprestado ou em contratos futuros amplia perdas e já levou muita gente a perder tudo.
- Risco regulatório e tributário: as regras seguem mudando no Brasil e no mundo.
- Decisões emocionais: comprar no auge por medo de ficar de fora e vender no fundo por pânico é o erro mais comum.
Boas práticas para quem quer começar
- Antes de qualquer coisa, monte uma reserva de emergência. Cripto não é lugar para o dinheiro das contas do mês.
- Estude o básico: o que é uma carteira, o que é uma chave privada e o que é uma frase de recuperação.
- Defina um valor que, se for a zero, não muda sua vida. Muitas pessoas limitam cripto a uma parte pequena do patrimônio.
- Escolha uma plataforma com reputação, segurança e que atenda às regras brasileiras. Compare taxas e confirme a situação da empresa.
- Ative a verificação em duas etapas, de preferência por aplicativo, e não por SMS.
- Considere comprar aos poucos, em aportes regulares, em vez de tudo de uma vez. Isso reduz o risco de comprar no pior momento.
- Não empreste, não alavanque e não acredite em retorno garantido.
- Guarde os registros de compra e venda para a declaração de imposto de renda.
O que vem pela frente
O próximo halving está previsto para por volta de 2028 e reduzirá a recompensa para 1,5625 BTC por bloco. Até lá, alguns temas devem pesar sobre o setor:
- Regulação: a definição de regras nos Estados Unidos e no Brasil e a eventual criação de reservas de bitcoin por governos.
- ETFs e fundos: o ritmo de entrada e saída de dinheiro dos produtos regulados.
- Juros e liquidez global: historicamente, juros baixos favorecem ativos de risco, e juros altos pesam sobre eles.
- Mineração: com a recompensa em queda, as taxas de transação e a eficiência energética ganham importância.
- Tecnologia: melhorias de escalabilidade, como a rede Lightning, e debates sobre segurança de longo prazo.
Ninguém sabe como isso vai se desenrolar. Previsões de preço, mesmo de grandes nomes, falharam muitas vezes, e tratar o Bitcoin como investimento de alto risco continua sendo a postura mais prudente.
Onde conferir as informações
Para ler a fonte original, procure o whitepaper em bitcoin.org. Para as regras brasileiras, consulte o Banco Central e a Receita Federal. Preços e dados de mercado mudam a cada minuto e variam entre fontes.
Conteúdo educacional. Criptomoedas são ativos de alto risco e podem perder grande parte do valor em pouco tempo. Nada aqui é recomendação de compra ou venda.
Perguntas frequentes
O que é o Bitcoin?
É a primeira criptomoeda, criada em 2008 por Satoshi Nakamoto. Funciona em uma rede de computadores sem banco central ou empresa no comando, e tem o limite de 21 milhões de unidades.
Quem criou o Bitcoin?
Alguém, ou um grupo, que usou o pseudônimo Satoshi Nakamoto. A identidade nunca foi comprovada, e as últimas comunicações públicas são de 2011.
O que é blockchain?
É um registro compartilhado de transações, guardado por muitos computadores e organizado em blocos ligados entre si. Alterar o histórico é muito difícil, porque exigiria refazer todos os blocos seguintes.
Quando o Bitcoin foi criado?
O whitepaper foi publicado em 31 de outubro de 2008, e o primeiro bloco da rede (bloco gênese) foi minerado em 3 de janeiro de 2009.
O que é o halving do Bitcoin?
É o evento em que a recompensa dos mineradores cai pela metade, a cada 210 mil blocos, cerca de quatro anos. Já aconteceu em 2012, 2016, 2020 e 2024.
Quando será o próximo halving?
Está previsto para por volta de 2028, no bloco 1.050.000, quando a recompensa passará de 3,125 para 1,5625 bitcoin por bloco. A data exata depende do ritmo da rede.
Quantos bitcoins existem?
O limite é de 21 milhões. O bitcoin de número 20 milhões foi emitido em março de 2026, e o último deve ser minerado por volta de 2140. Parte do total está perdida.
Por que os ETFs de Bitcoin foram importantes?
Eles permitem que investidores comprem exposição ao Bitcoin por uma corretora comum, sem precisar de carteira própria. Os de Bitcoin à vista foram aprovados nos EUA em 10 de janeiro de 2024.
O governo dos Estados Unidos compra bitcoin?
Uma ordem executiva de março de 2025 criou uma reserva estratégica com os bitcoins apreendidos pelo governo. Até março de 2026, segundo análises publicadas, não havia compras. Compras dependem de lei do Congresso.
Qual foi a máxima histórica do Bitcoin?
Em outubro de 2025 o Bitcoin chegou perto de US$ 126 mil. Os valores variam um pouco entre as fontes, e o preço atual pode ser bem diferente.
Bitcoin é legal no Brasil?
Sim. Comprar, vender e guardar bitcoin é permitido, e o Banco Central regula as empresas que prestam serviços com ativos virtuais. Ganhos de venda são tributados e precisam ser informados à Receita.
Dá para perder dinheiro com Bitcoin?
Sim. O preço é muito volátil, já caiu mais de 70% do pico ao fundo, em cerca de um ano, mais de uma vez e pode cair de novo. Há também risco de golpes e de perder o acesso à carteira.
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