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Bolsa americana: IVVB11 e BDRs, como investir pela B3

Guia completo da bolsa americana: o que é o IVVB11 (S&P 500 na B3), o que são BDRs, efeito do dólar, riscos, imposto de renda e como começar.

Diemerson AndradeElpis, a guia do Plano B

Por Diemerson Andrade, com auxílio da Elpis
Atualizado em 17 de outubro de 2026

Quem começa a investir logo ouve falar em "colocar dinheiro nos Estados Unidos": comprar as empresas que fazem o iPhone, os chips, os remédios e os serviços usados no mundo todo. A dúvida vem em seguida: preciso abrir conta no exterior? Compro o IVVB11? E os BDRs, o que são? Neste guia você entende como funciona a bolsa americana, as diferenças entre esses três caminhos, o papel do dólar, os riscos e como o imposto de renda funciona em cada um.

Resumo rápido

  • IVVB11: ETF da B3 que acompanha o S&P 500. É comprado em reais, reúne centenas de empresas e você não escolhe os papéis.
  • BDRs: certificados que representam ações estrangeiras e são negociados na B3, em reais. Você escolhe a empresa, mas concentra o risco nela.
  • Conta no exterior: acesso direto às bolsas dos EUA, com mais opções e mais burocracia.
  • Dólar: influencia o resultado nos três caminhos, para cima ou para baixo.
  • Imposto: ETFs e BDRs pagam imposto sobre o lucro e não têm a isenção de R$ 20 mil por mês que vale para ações brasileiras.

Por que investir na bolsa americana

As bolsas dos Estados Unidos, principalmente a NYSE e a Nasdaq, reúnem muitas das maiores empresas do mundo. Várias atuam em setores com pouco peso na B3, como tecnologia, saúde, semicondutores e consumo global, e vendem para clientes de dezenas de países. Os principais argumentos a favor são:

  • Diversificação geográfica: parte do seu patrimônio deixa de depender só da economia, da política e dos juros do Brasil.
  • Exposição ao dólar: ter ativos atrelados à moeda americana pode amortecer os efeitos de uma desvalorização do real, o que historicamente acontece em momentos de crise no país.
  • Acesso a empresas globais: você participa do resultado de companhias que não existem na bolsa brasileira.
  • Mercado grande e líquido: a bolsa americana movimenta muito volume e tem regras de divulgação de resultados bem estabelecidas.

Mas atenção: nada disso é garantia de retorno. A bolsa americana também cai, e feio. O S&P 500 teve quedas fortes na crise de 2008 e no início de 2020, por exemplo. E o dólar pode cair frente ao real, o que reduz o seu resultado em reais mesmo quando a bolsa lá fora sobe.

Quando pode não fazer sentido

Investir no exterior não é obrigatório. Antes disso, costuma fazer mais sentido ter uma reserva de emergência formada, entender o básico de renda fixa e de ações e ter um objetivo claro para o dinheiro. Quem precisa do valor em poucos meses também deve evitar renda variável de qualquer país: o risco de resgatar no momento ruim é grande.

A bolsa americana e seus índices

Os Estados Unidos têm duas bolsas principais: a NYSE, com muitas empresas tradicionais, e a Nasdaq, conhecida pelas empresas de tecnologia. Tudo é negociado em dólares. Em vez de escolher empresa por empresa, muita gente acompanha um índice, que funciona como uma "cesta" de empresas:

  • S&P 500: reúne cerca de 500 grandes empresas dos EUA e é o índice mais usado como retrato da economia americana. Como as maiores empresas pesam mais, poucas companhias, em especial de tecnologia, influenciam muito o resultado.
  • Nasdaq-100: reúne 100 grandes empresas listadas na Nasdaq, com forte presença de tecnologia.
  • Dow Jones: o índice mais antigo, com 30 grandes empresas.

Para acompanhar um índice com uma única compra, existem os ETFs, como o IVVB11.

Três caminhos para investir nos EUA

  • ETFs de índice americano na B3: como o IVVB11, comprados em reais pelo mesmo aplicativo das ações.
  • BDRs: certificados que representam ações de empresas estrangeiras, também negociados na B3 em reais.
  • Conta em corretora no exterior: você envia dólares e compra ações e ETFs diretamente nas bolsas americanas, com regras próprias de remessa, imposto e declaração.

Os dois primeiros dispensam conta no exterior e são os mais simples para quem está começando.

O que é o IVVB11

O IVVB11 é um ETF negociado na B3 que acompanha o desempenho do S&P 500. Ele é gerido pela BlackRock (marca iShares) e começou a ser negociado em 2014. Na prática, ele compra cotas do IVV, um ETF americano que replica o mesmo índice. Em outras palavras, ao comprar uma cota do IVVB11 você investe, indiretamente, em centenas de empresas americanas de uma vez.

  • Em reais: você compra pelo home broker da corretora, sem enviar dinheiro para fora.
  • Taxa de administração: segundo a gestora, 0,23% ao ano, descontada automaticamente do patrimônio do fundo. Confira o valor vigente antes de investir.
  • Dividendos: os proventos das empresas são reinvestidos pelo fundo, e não pagos ao cotista. O retorno aparece na valorização da cota.

O IVVB11 protege contra o dólar?

Não no sentido de proteção cambial (hedge). O IVVB11 não neutraliza o dólar: o preço da cota acompanha o S&P 500 em dólares e também a cotação da moeda. Isso funciona nos dois sentidos. Veja um exemplo simples:

  • Se o S&P 500 sobe 10% em dólares e o dólar cai 5% frente ao real, o ganho em reais é de 1,10 × 0,95 = 1,045, ou 4,5%.
  • Se o S&P 500 sobe 10% e o dólar sobe 5%, o ganho em reais é de 1,10 × 1,05 = 1,155, ou 15,5%.
  • Se o S&P 500 cai 10% e o dólar sobe 10%, o resultado em reais é de 0,90 × 1,10 = 0,99, ou queda de 1%.

Por isso o IVVB11 pode ajudar a amortecer a carteira em momentos de dólar alto, mas nunca é garantia. Acompanhe a moeda em Cotações.

IVVB11: para quem faz sentido

Vantagens:

  • Simples de comprar, sem conta no exterior.
  • Diversificação em centenas de empresas com uma única compra.
  • Custo baixo em comparação com muitos fundos de gestão ativa.
  • Não exige acompanhar empresa por empresa.

Desvantagens:

  • Você não escolhe as empresas e compra também as que não conhece.
  • Há concentração em poucas empresas grandes, principalmente de tecnologia.
  • Risco cambial: o dólar pode cair e reduzir o retorno.
  • O rendimento só vem com a venda da cota, já que não há dividendos no bolso.
  • Não tem a isenção dos R$ 20 mil mensais das ações.

IVVB11 ou SPXI11

O SPXI11 é outro ETF do S&P 500 na B3, gerido pela Itaú Asset. Ele acompanha o mesmo índice, com estrutura e taxa próprias. Na hora de comparar, olhe a taxa atual, a liquidez (volume negociado) e a diferença em relação ao índice. Há ainda ETFs de outros índices, como o Nasdaq-100: confira sempre o que cada um replica.

O que são BDRs

BDR vem de Brazilian Depositary Receipt. É um certificado emitido no Brasil que representa ações ou outros ativos de uma empresa estrangeira. Uma instituição financeira, chamada depositária, mantém as ações originais em custódia no exterior e emite os certificados, que são negociados na B3, em reais. O código costuma terminar em números como 34 ou 35, como o AAPL34, que representa a Apple, e o MSFT34, da Microsoft.

Em geral, o preço do BDR acompanha a ação original e o dólar. Um BDR pode representar uma fração de ação ou mais de uma, conforme a razão definida na emissão, por isso o preço dele não é igual ao da ação lá fora.

BDR patrocinado e não patrocinado

O BDR patrocinado é emitido com a participação da empresa estrangeira, que se compromete a divulgar informações aos investidores no Brasil. O não patrocinado é criado por uma instituição financeira sem a participação da empresa, com menos exigências de informação. Os dois representam o ativo da empresa lá fora, mas o patrocinado tende a oferecer mais informação em português.

BDRs de ETF

Além de BDRs de empresas, existem BDRs que representam ETFs estrangeiros. Eles permitem acompanhar um índice inteiro, como o S&P 500, pela B3 em reais. Na prática funcionam de forma parecida com o IVVB11, mas têm estrutura, custos e liquidez próprios. Compare antes de decidir.

Riscos específicos dos BDRs

  • Concentração: um BDR de ação concentra o risco em uma única empresa. Se ela vai mal, o seu investimento vai junto.
  • Liquidez: alguns BDRs têm pouca negociação, o que aumenta a diferença entre o preço de compra e o de venda e pode dificultar a saída.
  • Descolamento: o preço do BDR pode se afastar do valor justo, principalmente nos de baixa liquidez e nos horários em que a bolsa americana está fechada.
  • Dólar: a moeda influencia o resultado, como no IVVB11.
  • Empresa e país: resultados, concorrência, regulação e política dos EUA afetam o preço.

Comparação: IVVB11, BDR e conta no exterior

IVVB11BDR de açãoConta no exterior
Onde compraB3, em reaisB3, em reaisBolsas dos EUA, em dólares
DiversificaçãoCentenas de empresasUma empresaVocê monta a carteira
Escolha dos ativosSó o S&P 500Empresas específicasMuitas ações e ETFs
DólarInfluencia o resultadoInfluencia o resultadoInfluencia o resultado
CustosTaxa do fundo e corretagemCorretagem e, em alguns casos, custódiaCâmbio, remessa e taxas da corretora
Imposto sobre o lucro15%, apurado por você mês a mês15%, apurado por você mês a mês15%, apurado na declaração anual
DificuldadeBaixaBaixa a médiaMédia a alta

Quanto colocar na bolsa americana

Não existe um percentual certo para todos. Depende do seu objetivo, do prazo e do quanto você tolera as oscilações. Muitas pessoas começam com uma parcela pequena da carteira, vão aumentando com o tempo e mantêm a maior parte dos recursos em ativos que conhecem melhor. Em vez de aportar tudo de uma vez, fazer aportes regulares reduz o risco de comprar tudo em um momento ruim. Você pode simular o efeito dos aportes na calculadora de juros compostos.

Imposto de renda

As regras abaixo são um resumo geral e podem mudar. Confirme sempre na Receita Federal ou com um contador.

  • IVVB11: o lucro na venda é tributado em 15% (20% em day trade). A isenção para vendas de até R$ 20 mil por mês vale só para ações, e não se aplica a ETFs. O imposto é apurado por você, mês a mês, e pago por DARF até o último dia útil do mês seguinte.
  • BDRs: o lucro na venda também é tributado em 15% (20% em day trade), sem a isenção dos R$ 20 mil, com apuração mensal e pagamento por DARF (código 6015). Os dividendos recebidos são tributáveis, ao contrário dos de ações brasileiras: devem ser informados como rendimentos recebidos do exterior e entram na tabela progressiva do imposto de renda, com possibilidade de compensar parte do imposto retido fora, conforme as regras aplicáveis.
  • Conta no exterior: para aplicações mantidas diretamente fora do Brasil, a Lei 14.754/2023 prevê alíquota de 15% sobre ganhos e dividendos, apurada uma vez por ano na declaração, com posição em 31 de dezembro. Não há a isenção das vendas pequenas.

Exemplo: se você vende um BDR ou cotas do IVVB11 com lucro de R$ 1.000, o imposto é de R$ 150. Se a venda tiver prejuízo, não há imposto, e o prejuízo pode ser compensado com lucros futuros, conforme as regras vigentes.

Os ativos entram na declaração anual em "Bens e direitos", pelo valor de compra, e as vendas com lucro em "Renda variável". Guarde as notas de corretagem e controle o preço médio das compras. Você pode usar Acompanhe seus ativos para isso.

Erros comuns

  • Achar que bolsa americana só sobe: ela também tem quedas longas e fortes.
  • Olhar só o retorno recente: um bom ano não garante os próximos.
  • Ignorar o dólar: IVVB11 e BDRs têm exposição cambial, então a valorização ou a desvalorização do real também influencia o resultado do investimento.
  • Comprar BDR de baixa liquidez a qualquer preço: use ordens com preço limite e confira o volume.
  • Concentrar tudo em uma empresa: mesmo gigantes já tiveram quedas fortes.
  • Esquecer o imposto: sem a isenção dos R$ 20 mil, vendas com lucro geram DARF.
  • Investir dinheiro de curto prazo: renda variável pede horizonte longo.

Como começar passo a passo

  1. Monte a reserva de emergência antes de assumir riscos.
  2. Abra conta em uma corretora, como explicamos em como começar na bolsa.
  3. Defina o objetivo e o prazo. O IVVB11 serve a quem quer o índice inteiro, e os BDRs a quem quer escolher empresas.
  4. Defina quanto da carteira vai para o exterior e comece com um valor pequeno.
  5. Pesquise o código do ativo no home broker (IVVB11 ou o código do BDR), confira a taxa e a liquidez, informe a quantidade e use preço limite.
  6. Faça aportes regulares e revise a carteira de tempos em tempos.
  7. Registre as compras para controlar o preço médio e o imposto.

Onde conferir as informações

Taxas, regras e impostos mudam. Antes de investir, confirme os dados atuais no site da gestora do ETF, na própria B3, que tem um guia sobre BDRs patrocinados e não patrocinados, e na Receita Federal.

Perguntas frequentes

O que é o IVVB11?

É um ETF da B3 que acompanha o S&P 500, índice das cerca de 500 maiores empresas dos EUA. É negociado em reais e gerido pela BlackRock.

O IVVB11 paga dividendos?

Não. Os proventos das empresas são reinvestidos pelo próprio fundo, e o retorno aparece na valorização da cota.

O IVVB11 tem proteção contra a variação do dólar?

Não. O preço da cota acompanha o S&P 500 e também a cotação do dólar, então a moeda pode aumentar ou reduzir o seu resultado.

Qual a diferença entre IVVB11 e SPXI11?

Os dois acompanham o S&P 500. Mudam a gestora, a estrutura do fundo, a taxa e a liquidez. Compare os dados atuais antes de escolher.

O que são BDRs?

São certificados negociados na B3, em reais, que representam ações de empresas estrangeiras guardadas em custódia no exterior, como o AAPL34, da Apple.

Qual a diferença entre BDR patrocinado e não patrocinado?

O patrocinado é emitido com a participação da empresa estrangeira, que se compromete a divulgar informações no Brasil. O não patrocinado é criado por uma instituição financeira sem a participação da empresa, com menos exigências de informação.

IVVB11 ou BDR: qual é melhor?

Não há um melhor para todos. O IVVB11 diversifica em centenas de empresas, e o BDR concentra em uma. Escolha pelo objetivo, pelo risco que você aceita e pela liquidez.

Existe isenção de imposto para ETF ou BDR até R$ 20 mil por mês?

Não. Essa isenção vale só para ações negociadas no Brasil. No IVVB11 e nos BDRs, o lucro na venda é tributado, em geral em 15%. Confirme as regras vigentes.

Preciso de conta no exterior para investir na bolsa americana?

Não necessariamente. Com o IVVB11 e os BDRs você investe pela B3, em reais, sem abrir conta fora do Brasil.

Quanto devo investir na bolsa americana?

Não existe percentual certo. Depende do objetivo, do prazo e do seu perfil de risco. Muitas pessoas começam com uma parcela pequena e aumentam com o tempo.

Dá para perder dinheiro com IVVB11 e BDRs?

Sim. Eles seguem as oscilações da bolsa americana e do dólar, e o valor investido pode cair, inclusive por períodos longos.

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Conteúdo educacional. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo. Regras, taxas e impostos mudam com o tempo: confirme as informações vigentes antes de investir.